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ARLS LUZ DE SÃO JOÃO, Nº 750

Endereço: Rua Egeo, 57
Bairro: Jardim do Mar
Cidade: SÃO BERNARDO DO CAMPO
UF: SP
APOSTOLUS   RECTA
 

À        G D G A D U

 
A   A R L S LUZ DE SÃO JOÃO, 750 fundada em 08 de dezembro de 2011,  adota o Rito Joanita, também chamado Rito São João, com origens na Hungria. Praticado no Brasil desde 1956 por uma única Loja, a ARLS Ressurrectio, 99, o rito foi adotado em 2012 pela Luz de São João, em homenagem aos Irmãos valorosos daquela Loja, nossa co-irmã, com o objetivo de difundi-lo por todo o território brasileiro. Registramos aqui nossos agradecimentos a todos os Irmãos da Ressurrectio, que tanto nos ajudaram no início de nossos trabalhos de aprendizado do Rito e que ainda hoje e sempre nos honram com suas visitas, em especial ao Ir.'. Aleksandar Jovanovic, cujos valorosos trabalhos muito nos ajudaram na construção de nossa Oficina.
SÃO JOÃO DE JERUSALÉM, PATRONO DA AUGUSTA E RESPEITÁVEL LOJA
SIMBÓLICA LUZ DE SÃO JOÃO 750
 
“Os historiadores, apesar da escassez de fontes documentais, concordam que a Lenda de São João Esmoleiro, também conhecido como São João de Jerusalém, surgiu de um herói verdadeiro que viveu na Alta Idade Média entre os séculos V e VI. Devido ao seu significativo legado, foi considerado Santo pelos mais pobres e serviu de inspiração para nobres e cavaleiros. Fontes historiográficas revelam sérios indícios de sua identidade e suas contribuições para os Cavaleiros Templários”.
 
Se em 117 d.C. o Império Romano conheceu sua máxima extensão territorial sob o reinado de Trajano, pouco mais de três séculos depois, em 476, sua história seria bem diferente: a parte ocidental do Império sucumbia frente aos então chamados povos bárbaros. O Imperador Flávio Rômulo Augusto foi deposto no dia 4 de setembro daquele ano pelo chefe militar germânico Odoacro. Esta importante data marca, tradicionalmente no Ocidente, a passagem da chamada Idade Antiga para a Idade Medieval, um período de importantes acontecimentos na história da humanidade e que ficaria conhecido por Idade das Trevas. Esta periodização, cujo rótulo emprega o embate visual luz versus escuridão enfatiza as deteriorações que ocorreram na Europa em consequência do declínio do Império Romano do Ocidente.
 
Seria este, verdadeiramente, um período de trevas na história da humanidade?
 
Segundo o Professor Doutor Marcelo Candido da Silva, Professor de História Medieval do Departamento de História da Universidade de São Paulo, não.
 
Além da permanência das Instituições Romanas, qual seria outro importante legado do Império Romano para a humanidade?
 
Durante o século III, com a ascensão do imperador romano Constantino, o Cristianismo foi legalizado pelo Édito de Milão de 313. A questão da conversão de Constantino ao Cristianismo é um tema de profundo debate entre os historiadores, mas em geral se aceita que a sua conversão ocorreu gradualmente. Como maneira de fazer penitência, Constantino ordenou a construção de diversas basílicas e outros templos e as doou à Igreja. Dentre elas, uma basílica em Roma no local onde, segundo a tradição, o apóstolo Pedro estava sepultado e, influenciado pela sua mãe, a imperatriz Helena, ordena a construção em Jerusalém da Basílica do Santo Sepulcro e da Basílica da Natividade em Belém. Mais tarde, nos anos de 391 e 392, o imperador Teodósio I combate o paganismo, proibindo o seu culto e proclamando o Cristianismo religião oficial do Império Romano.
 
A desagregação do Império Romano do Ocidente teria sido a causa precursora do monasticismo e do surgimento de São João de Jerusalém?
 
A desagregação do Império Romano do Ocidente não significou em absoluto o fim de suas instituições e de seu ideário religioso então vigente. É neste contexto, entre os séculos V e VI, que surge a importante figura de São João de Jerusalém. Nascido na ilha de Chipre, situada no mar Mediterrâneo oriental ao sul da Turquia, cujo território é o mais próximo, seguindo-se a Síria e o Líbano, a leste. Sabe-se que ele, ao sair de sua terra natal para Jerusalém, levou o quinhão da fortuna de seu pai, que lhe era de direito. Contudo, apesar da possibilidade de viver uma vida sossegada, optou pelo labor. Motivado por sua formação cristã e caridosa, encaminhou-se à Jerusalém, onde, com enorme dificuldade, montou um hospital para atender aos peregrinos que viajavam à Terra Santa, rumo ao Santo Sepulcro.
 
Esse tipo de conduta iniciou-se no final do século IV, nesse momento o papel da Igreja Cristã nas cidades é eclipsado por um modelo radicalmente novo na sociedade, era o surgimento dos monges. Pode-se entender que São João de Jerusalém foi um destes monges, o que justifica sua opção em deslocar-se para regiões desertas a fim de ocupar-se da hospitalaria. O paradigma monástico efetivamente apresentava um mundo despojado de suas estruturas conhecidas, para os monges as cidades haviam perdido sua preeminência enquanto unidade social e cultural distinta. Em numerosas regiões do Oriente Próximo o avanço do monasticismo marca o fim do esplêndido isolamento das cidades helenísticas. Na região do Mediterrâneo os monges se unem aos desassistidos, enfermos e viajantes, que igualmente dependiam da misericórdia divina.
 
Nos séculos V e VI evidenciou-se, ainda, a ruptura com relação ao poder clerical exercido nas cidades; a partir desse ponto ocorre um estreitamento entre a Ordem do Hospital e a Ordem do Templo. As relações entre templários e hospitalares suscitaram discussões e debates cuja relevância é demonstrada, sobretudo, tanto pelas fontes papais, quanto pelo exame comparativo da documentação normativa de ambas as instituições.
 
O historiador inglês Riley Smith se propôs a realizar uma comparação entre a Ordem do Hospital e a Ordem do Templo, utilizou, como suporte para seu estudo, crônicas, os textos normativos das instituições, além da arquitetura dos edifícios das duas ordens na Palestina, ao final, pode verificar que “a cavalaria templária estava arraigada na história monástica”.  
 
Qual teria sido a grande contribuição desta figura mítica?
 
São João de Jerusalém, doutrinado à vida monástica, foi amigo, irmão e confidente de muitos enfermos. Doou a eles mais do que os seus recursos financeiros, entregou a cada um, de bom grado, sua saúde e atenção. Nunca fez distinções entre feridos de guerra e doentes.
Todos aqueles que buscavam ajuda encontravam, sem dúvida, uma mão estendida. Desta forma foi inspiração para fundação da Ordem dos Cavaleiros Hospitalares, que tinha por principal função dar segurança aos hospitais e prestar socorro aos enfermos. Mais tarde, Roma, em reconhecimento ao seu desprendimento e amor incondicional, o canonizou com o nome, São João Esmoleiro. Após sua santificação, a Ordem dos Cavaleiros Templários passou a associar fortemente sua figura como seu patrono, colocando-se sob sua proteção ao se postarem no campo para as batalhas.
 
São João de Jerusalém foi, postumamente, eleito e sagrado Grão-Mestre dos Cavaleiros de Jerusalém, recebendo as mais altas honrarias dos Cavaleiros Templários. Estes o reconheciam como um puro e fiel Cavaleiro, um seguidor dos antigos valores. Suas relíquias foram levadas para Constantinopla e lá ficaram até que seguiram como presente ao Rei Matthias da Hungria, depois, em 1632, foram trasladadas para o Santuário da Catedral de Presbourg.  
 
Neste período de guerras e incertezas, como uma Ordem Hospitalar transformou-se em uma Ordem de Cavaleiros Combatentes?
 
A Ordem Militar Soberana do Hospital de São João de Jerusalém, ou Ordem de São João de Jerusalém, ou Ordem dos Cavaleiros Hospitalares, ou simplesmente Hospitalares, surgiu de uma hospedaria para peregrinos criada em 1080 e dedicada a São João de Jerusalém perto da Abadia Beneditina de Santa Maria dos Latinos, em Jerusalém, fundada em 1050 por mercadores de Amalfi. Seus servidores formaram uma fraternidade laica sob a regra dos Agostinhos. Com a conquista de Jerusalém pelos cruzados em 1099 e o estabelecimento dos Estados Cruzados na Palestina, o número de peregrinos cresceu, mas o estado de guerra em torno deles aumentou o perigo da viagem.
 
Uma bula papal de 1113 reconheceu os Hospitalares de São João como uma ordem monástica e logo depois, sob a influência dos Templários (fundados em Jerusalém em 1120), os Hospitalares se transformaram em guardas armados e logo em monges combatentes, participando das Cruzadas e mantendo fortalezas e hospedarias ao longo da Terra Santa. Sua cruz de oito pontas tem significado semelhante à cruz dos Templários, sendo branca sobre fundo vermelho e tem um desenho ligeiramente diferenciado. Rapidamente os Hospitalares tornaram-se uma Ordem Militar Cristã, uma congregação de regras próprias, encarregada de assistir e proteger os peregrinos àquela terra. Face às derrotas e consequente perda desse território, a Ordem passou a operar a partir da ilha de Rodes, onde era soberana, e mais tarde desde Malta, como estado vassalo do Reino da Sicília.

Sabendo que a Ordem Hospitalar foi fundada nos mais altos valores éticos e cristãos, por qual motivo ela veio a dissolver-se?
 
Esta Ordem sobreviveu durante anos, também ganhou enorme respeito dos Templários da época das Cruzadas: as expedições militares empreendidas contra os inimigos da Cristandade e por isso legitimadas pela Igreja, que concedia a seus participantes privilégios espirituais e materiais. A Ordem Hospitalar, inicialmente, tinha como objetivo proteger peregrinos que seguiam à Terra Santa. Cultuando a caridade, essa ordem rapidamente evoluiu tanto em membros, quanto em poder, pois seus integrantes eram das mais altas patentes das Cruzadas.
Como não poderia ser diferente o poder econômico também se desenvolveu, visto que recebiam muitas doações, inclusive terras, castelos, ouro e outros bens. Estes assumiram de certa forma, o papel de banqueiros da época, coletando e transportando riquezas entre a Europa e o Oriente Próximo.
 
Com o tempo, porém, nobres e reis importantes se sentiram incomodados com o crescente poder econômico e político desta Ordem. Felipe IV, rei da França, que – como vários outros soberanos – devia dinheiro e favores aos Hospitalares e Templários, sendo assim resolveu enfrentá-los, ordenando o confisco dos bens e a prisão dos Cavaleiros que viviam em seu reino. A perseguição se espalhou para outras regiões sob a acusação de blasfêmia, heresia, corrupção e aliança com o Islã. A dissolução ocorreu pelas mãos do Papa Clemente V, em 1312.
 
Qual foi o maior legado das Cruzadas para o Mundo Ocidental?
 
Os resultados das Cruzadas não foram absolutamente aqueles pretendidos pelos que as conceberam, as pregaram ou que participaram delas. Por ironia, a Igreja, que as criara e defendera, e a nobreza feudal, que delas participara julgando poder resolver seus problemas, foram as grandes prejudicadas. Direta ou indiretamente, as Cruzadas foram responsáveis por transformações importantes. Entre estas, no campo religioso, podemos assinalar que passou a haver maior tolerância entre cristãos e mulçumanos, produto de um maior contato e assim de um maior conhecimento recíproco. É verdade que de início o fanatismo de ambos os lados criara um clima de ódio religioso e racial. Porém, com o tempo estendeu-se que as próprias religiões não eram tão diferentes assim, e que de qualquer forma a convivência era inevitável entre dois povos habitando um mesmo território.
 
Poderia também a Maçonaria ter sido inspirada pela figura mítica de São João de Jerusalém?
 
A Maçonaria viria a copiar grande parte dos ensinamentos e do modo de agir dos Templários. Algumas Lojas Maçônicas passaram, inclusive, a associar São João de Jerusalém como seu padroeiro, essa influência se deu em função da afinidade de pensamento, ideias e ações. De um lado um homem à frente de seu tempo e que foi elevado à condição de Santo, do outro uma instituição que cultua a doutrina de amor incondicional ao próximo e a elevada determinação em lutar pela liberdade.  A Maçonaria, calcada nos ensinamentos de São João de Jerusalém, não mediu  esforços para constituir uma liga internacional de homens dedicados a viverem em paz, harmonia, tolerância e afeição fraternal. Exemplos de Lojas Maçônicas que dedicam seus trabalhos a honra de São João de Jerusalém são várias, contudo destaca-se uma Oficina no Brasil denominada Luz de São João, a 750ª Loja Regular da Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo.
 
Fundada pela ação pessoal do Emérito Maçom José Carlos Vincenzo, em 08 de Dezembro de 2011, ela passou a congregar maçons que nutrem o propósito de experimentar um choque de gestão dentro da Ordem. Sabendo que por uma lado é necessário resgatar os antigos princípios do espírito maçônico, por outro se verifica que essa recuperação não será viável se as ferramentas do mundo moderno não forem implementadas. Não podemos ignorar nossa inserção em um mundo cuja comunicação, cada vez mais rápida, agrega valores, e permite o acúmulo de conhecimento de uma forma jamais experimentada pela Humanidade.
 
Séculos de esforços do passado podem ser comparados, em proporcionalidade, a semanas de avanços científicos dos dias atuais.O mundo caminha rápido e, nunca antes, o futuro do homem representou uma incógnita tão perturbadora. No presente a atuação dos homens livres e de bons costumes é uma necessidade sem precedentes. Maçons que, inspirados em São João de Jerusalém, estão prontos para levantar suas espadas para travar o bom combate, espadas forjadas no fogo do constante estudo e aprimoramento intelectual e afiadas no domínio das mais diversas formas de comunicação e interação social.
 
Dentro da Loja Luz de São João nasceram os Mestres de São João, um círculo peculiar dentro da Ordem Maçônica, guerreiros tal qual seu patrono, sempre estarão prontos a servir os necessitados, sempre estarão ao lado da verdade. Em um mundo de transformações nem sempre salutares, os Mestres de São João, como seguidores dos antigos princípios, jamais dobrarão seus joelhos ante a injustiça e a tirania.   
 
Hoje os maçons da Loja Luz de São João 750, no futuro outras gerações de Mestres Guerreiros estarão dispostas a cultuar esse legado. 
 
O legado de São João de Jerusalém.
 
O Mito.
 
A Inspiração. 
 
   


   
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